
Depois de atravessar uma de suas maiores crises no período 2014-2017, o setor de Infraestrutura vem se recuperando de forma bem significativa nos últimos anos. Em 2024 produziu 64 leilões de ativos, que saltaram para 75 leilões em 2025, envolvendo 98 ativos. E a expectativa para 2026 é a de um pipeline relevante de Concessões e PPPs estimado em R$ 280 bilhões.
Essa recuperação está alicerçada nos investimentos privados, visto que a capacidade do setor público investir diretamente tem se reduzido. Também o mercado de capitais, com as debêntures incentivadas e as de Infraestrutura vem se consolidando no financiamento desse setor.
O que muitos analistas consideram como uma “janela de oportunidades” para a Infraestrutura brasileira, não pode e nem deve configurar um “voo de galinha”, ou seja, vivermos num futuro próximo nova retração do setor.
É hora portanto de enfrentarmos mudanças estruturais que possam garantir a necessária longevidade para nossa Infraestrutura.
A primeira mudança seria a compreensão de que os investimentos públicos e os privados se complementam, não são excludentes. Inúmeros projetos e empreendimentos não oferecem condições de atratividade e retorno ao capital privado, dependendo então exclusivamente dos orçamentos públicos. Recursos orçamentários para investimentos em Infraestrutura não deveriam ser classificados como Despesas, tendo em vista o retorno que oferecem para toda a economia. E precisam do básico: boa gestão. Regras licitatórias que valorizem as boas empresas, a boa técnica, o melhor preço (e não o menor preço), os pagamentos em dia, os projetos completos, as adequadas Matrizes de Riscos, os orçamentos realistas.
Para os investimentos privados, o importante é a segurança jurídica e regulatória, a independência e o fortalecimento técnico das agências reguladoras, o aprimoramento dos mecanismos de financiamento (inclusive para exportação de serviços), a estruturação de projetos que garantam maior competitividade.
No cenário eleitoral de 2026, a Infraestrutura estará presente. Que ela seja discutida como uma Política de Estado e não como uma Política de Governo. Para o bem das empresas e sobretudo para o bem da sociedade.





